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Este blog visa a discussão livre e informada sobre a União Europeia, uma realidade fundamental dos nossos dias. Todas as opiniões são bem vindas, desde que respeitem os valores fundamentais que a União defende. 

Mary para Presidente da UE!
Publicado segunda-feira, 09 Novembro 2009, por Ana Gomes | 0 Comments

Das três posições de topo na União Europeia consagradas pelo Tratado de Lisboa, duas ainda estão por atribuir: a de Presidente do Conselho Europeu e a de Alto Representante para a Política Externa.

Enquanto o Presidente da Comissão continua a estar incumbido de defender o "interesse europeu", apoiado pelo colégio de comissários e por um exército de funcionários e o Alto Representante para a Política Externa deve chefiar as relações internacionais da União, com a ajuda do novo Serviço de Acção Externa e da Direcção Geral de Relações Externas da Comissão, o/a Presidente do Conselho Europeu é essencialmente responsável por assegurar a eficácia e a coerência das cimeiras de Chefes de Estado e de governo. É verdade que também tem um papel na acção externa da União, mas mais no domínio da representação do que da definição e implementação de políticas.

Qualquer dos dois postos - Alto Representante e Presidente do Conselho Europeu - são importantes e merecem ser atribuídos a figuras que gozem de inatacáveis reputações europeístas e que saibam contribuir para a criação de consensos.
 
Ora o muito falado Tony Blair, que apesar da falta de apoio socialista no último Conselho Europeu parece persistir na candidatura para a posição de Presidente do Conselho Europeu, não sabe gerar consensos. Aliás, o seu passado demonstra que desvaloriza o consenso quando este esbarra naquilo que ele considera ser "certo". Blair tem muita fé. Nele mesmo. E seria incapaz de cumprir a letra e o espírito do Tratado de Lisboa - que deixam, é certo, alguma margem de manobra - no que diz respeito às responsabilidades políticas e ao mandato do Presidente do Conselho Europeu, não descansando enquanto não tivesse usurpado as prerrogativas do Presidente da Comissão e ao Alto Representante. Blair não é homem para resistir a uma interpretação maximalista das responsabilidades do Presidente do Conselho - e a última coisa de que precisamos é de uma guerra de egos no topo da hierarquia europeia...
E é, acima de tudo, isso que o elimina como potencial candidato para qualquer um dos postos: Blair é um europeu relutante. Nunca reuniu suficiente coragem - ou vontade - política para colocar o Reino Unido claramente no centro da Europa. Londres continua fora de Schengen, fora do Euro e, sob a batuta de Blair, negociou vários "opt-outs" do Tratado de Lisboa, nomeadamente da Carta dos Direitos Fundamentais.
 
Nos ultimos dias, na imprensa e nos corredores bruxelenses, o espectro de Blair  desatou candidaturas alternativas, tanto putativas como inimputáveis. Jean Claude Juncker - personalidade de direita que eu poderia apoiar (há gente que se diz europeista e de esquerda que não chega aos calcanhares deste luxemburguês em matéria de políticas sociais) - estará diminuido. Do lado de lá do Atlântico, John Bruton, o ex-PM irlandês hoje representante da CE em Washington, manda carta a oferecer-se. Risíveis, diminutos, são outros nomes que subitamente nos avançam - Balkanende? Van Rompuy?   Hello??? não há por aí mais nenhum gato maltês que toque piano e fale francês?     
   
Nada como uma mulher para quebrar o cinzentismo de homenzinhos engravatados. E há uma, com curriculum e credenciais impecáveis: MARY ROBINSON  (Presidente da República da Irlanda 1990-1997; Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos 1997-2002; académica).
Mary é uma mulher respeitada internacionalmente, vem de um pequeno país (critério que Angela Merkel já considerou como relevante para esta nomeação) e demonstrou inúmeras vezes saber trabalhar consensualmente. Dos EUA à China conhecem-na bem: até o mais envelhecido Kissinger não teria desculpa de não saber a quem telefonar...    
E sim, Mary também... é mulher. Convém: extraordinária vantagem no mundo das imparidades! Pois no Parlamento Europeu muita gente defende que pelo menos um dos três lugares de topo da UE deve ser ocupado por uma mulher. 
Anteontem assinei uma declaração de apoio a Mary Robinson que foi posta a circular no PE por iniciativa do deputado Rui Tavares
E já há semanas que torço por Mary.
Façam como eu: fica aqui o link para a campanha no Facebook de apoio a Mary Robinson para a posição de Presidente do Conselho: http://www.facebook.com/group.php?gid=188141985864

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