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Este blog visa a discussão livre e informada sobre a União Europeia, uma realidade fundamental dos nossos dias. Todas as opiniões são bem vindas, desde que respeitem os valores fundamentais que a União defende. 

Ashton, a Ministra dos Negócios estrangeiros da UE
Publicado quinta-feira, 19 Novembro 2009, por Ana Gomes | 3 Comments

 

Não acho nada mal a escolha de Catherine Ashton para Alta Representante para a Política Externa da UE e Vice-Presidente da Comissão Europeia.
Porque é inteligente, competente e esforçada – não sendo muito experiente em todas as vertentes das relações externas da Europa, tem apreciável bagagem e bom desempenho como Comissária para o Comércio Internacional no último ano (veio para substituir o seu colega Peter Mandelson que bateu com a porta ao Presidente Barroso de um dia para o outro, sem sequer lhe dar umas semaninhas da notificação da praxe). Ashton herdou logo o espinhoso dossier das EPAS (Acordos de Parceria Económica com os países ACP) e conseguiu acalmar os ânimos africanos e caribenhos, que Mandelson arrogantemente atiçara. Estive em diversas reuniões com ela e admirei-lhe o tom cordato, o bom senso e o dominio que rapidamente revelava dos assuntos.  
Catherine Ashton é Baronesa porque foi a certa altura enfiada pelo Partido Trabalhista na Câmara dos Lordes, como tantos, mas não passou a ter peneiras, é mesmo quase demasiado modesta, uma sólida “labour girl”.
E não acho nada mal também a sua escolha porque Catherine é mulher – e ao menos temos a sensibilidade de uma mulher entre os três lugares executivos de topo na UE (tudo indica que esta Comissão virá ao PE com menos mulheres que a anterior – e por isso sairá com menos votos, se sair aprovada).
Há dias, na delegação socialista portuguesa ao PE, discutimos as alternativas que se perfilavam, sabendo-se que o cargo de Alto Representante para as Relações Externas viria parar à nossa familia política. Além de Ashton, que já se adivinhava na calha uma vez que Milliband se auto-excluira, havia um outro candidato de peso (e de impressionante pensamento estratégico no domínio da PESC e da PESD), o italiano Massimo d’Alema – que Berlusconi apoiaria, apesar de ser um ex-comunista (os representantes de leste no Conselho Europeu é que o não enguliam). Houve quem dissesse que preferia o italiano por ter  naturalmente sensibilidade mais coincidente com a nossa quanto às relações exteriores da UE.
Eu – que admiro o d’Alema – considerei preferível a Ashton. E não apenas por ela ser mulher: mas por ser britânica.   
“After all”, os nossos velhos aliados “bifes” mandam nisto da politica externa da UE.  Têm, sem dúvida, a melhor e mais poderosa máquina diplomática, que tudo sabe infiltrar (na Comissão, no Conselho, no PE), influenciar e frequentemente controlar. Para o bem e para o mal. E já que controlam – ora passem  assumir o ónus de controlar!
E talvez assim consigamos trazer o Reino Unido a abraçar políticas europeias  (por exemplo a PESD) cujo desenvolvimento tem travado, arrastando os pés.    Com Catherine Ashton como Alta Representante para as Relações Externas  e Vice-Presidente da Comissão Europeia,  à cabeça do Serviço de Acção Externa da EU que está a ser montado. Como a Ministra das Relações Exteriores da UE – o cargo que a “Constituição para a Europa” previa e que Londres exigiu que fosse “desgraduado” no Tratado de Lisboa.
 
Publicado em: Europa
Etiquetas:

    • Pedro Sá | sexta-feira, 20 Novembro 2009 | 10:20

    • Camarada, Essa lógica da "sensibilidade de uma mulher" tresanda a arrogância sexista. Eu como homem não aceito que se entenda que alguém por ser mulher tem mais sensibilidade que eu.

    • sam | sexta-feira, 20 Novembro 2009 | 9:36

    • A opinião descrita no artigo faz todo o sentido.Para alem da competência da senhora e da sua larga experiência em promover consensos, é sabido que uma mulher tem uma sensibilidade para conseguir acordos, consensos, e em geral , para negociar, que nem sempre se encontram nos homens.Caracteristicas que os cientistas explicam facilmente...

    • JV | sábado, 21 Novembro 2009 | 12:15

    • Mas a Sr.ª Ashton tem alguma experiência na matéria, tirando o último ano? Não fez a sua fulgurante carreira totalmente à margem da diplomacia?

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